A presença da madeira na arquitetura do Paraná

Oi gente! Depois de um tempo sem postar por causa da viagem estou de volta! Pra não fazer nenhum tipo de super post da viagem ou não deixar de comentar sobre ela, vou juntar a programação da semana e falar sobre vários assuntos que envolvam a minha ida ao Paraná. Hoje, segunda-feira, é dia de falar sobre arquitetura. Vamos falar sobre o sul do país?

Eu moro no interior de São Paulo, com uma presença muito forte da arquitetura portuguesa. Entretanto, na Região Sul do país, observa-se uma influência muito forte da mistura da arquitetura europeia – principalmente a alemã – desde o eclético, neoclássico, colonial, oriental e bizantino até a arquitetura moderna. Guarapuava, a cidade onde fiquei, era ocupada por índios e foi tomada pelas expedições das bandeiras; dessa maneira, muito da arquitetura portuguesa também chegou à região, com muitos edifícios antigos coloniais.

Ser Inquieto - Neve em GuarapuavaImagem: Neve na cidade de Guarapuava em 2013 (Vista do Parque do Lago)

Segundo o site da Prefeitura, “com 200 anos de história, Guarapuava é um lugar perfeito para aprender muito da história do nosso país e desfrutar das belezas naturais que a cidade oferece. A cidade conta com belíssimos parques, praças, casarões antigos, igrejas e capelas, além de um museu, que registra a colonização da região e do estado.”

Ser Inquieto - Guarapuava

A cidade, com mais de 170 mil habitantes é um dos locais mais frios do Paraná, e já teve registros de neve. Sendo assim, a arquitetura local busca o aproveitamento do sol, que é essencial para os dias mais frios, além do uso da madeira em diversas construções, material resistente, econômico e que proporciona um ambiente mais quente que a alvenaria. Além disso, a cidade contou com uma grande ajuda da lei na fase inicial do povoamento, pois haviam prescrições de estética a serem seguidos pelas edificações construídas na cidade de acordos com uma carta régia.

Ser Inquieto - Arquitetura no Paraná

Imagem: Casa de Araucária

Seguindo essa linha estética, o uso da madeira em várias construções, além das vantagens acimas, é reforçado pelo autor Paulo Bertussi, que remete a importância da abundância das araucárias. Segundo ele, as primeiras casas eram o conjunto do prédio da cozinha e lareira e o prédio dos dormitórios, afastados 20 metros um do outro. As portas e janelas antigamente também eram feitas totalmente em madeira, e somente a partir de 1930 que foram adicionados os caixilhos e o uso do vidro.

Buscando mais sobre a arquitetura em madeira, encontrei um livro digitalizado do Antonio Carlos Zani (Editora da Universidade Estadual de Londrina – 396 páginas), obra que trata do uso da madeira nas edificações produzidos por carpinteiros migrantes e imigrantes entre 1930 a 1970. Aproveitando os recursos materiais locais de modo a obter rapidez e facilidade construtiva, conseguiram criar, com a produção desta arquitetura, uma linguagem própria, capaz de expressar uma cultura arquitetônica local, dominando a técnica de trabalhar a madeira e criando um repertório arquitetônico singular. Com soluções simples e objetivas, as construções se adaptaram ao clima local com diversos tipos de programas e influencias de diferentes locais. Além da história do uso da madeira, o livro também tem diversas fotos, que retratam o simbolismo poético destas moradias, e esquemas com a concepção volumétrica e estrutural das construções do período. As escadas, superfícies e cores das fachadas, aberturas, porões e espaços internos das residências também são abordados no livro. Claro que não vou poder explicar tudo aqui, porque é muito completo (!), então deixo como dica de leitura pra essas férias pra quem quiser se aprofundar mais no assunto.

Deixo com vocês uma pequena galeria com algumas fotos que tirei por lá (mesmo com alguns senhores me olhando de cara feia achando que eu ia assaltar as casinhas fofas / me desculpem pela qualidade das fotos!). Qualquer dia faço uma resenha completa do livro do Zani, porque vale a pena conhecer mais sobre o assunto! Aguardem o post de amanhã pra conhecer um pouco mais de Guarapuava, beijos! :*

Ps. Procurando informações de Guarapuava, encontrei o Hino da cidade. Como eu acho hinos legais, cantei sozinha aqui. Fica o link a título de curiosidade. (hahaha)

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3 comentários sobre “A presença da madeira na arquitetura do Paraná

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